Pessoal

Pela liberdade de expressão e pensamento

Tá certo que existem algumas (muitas), coisas que eu poderia passar a minha vida muito feliz por não ter ouvido. Por exemplo toda a polêmica relacionada com o Jair Bolsonaro e o kit anti-homofobia do MEC de um tempinho atrás. Sinceramente, o conteúdo da polêmica não é o objetivo dessas linhas, e eu não vou expor minha opinião aqui (pelo menos não agora). A questão que me trouxe aqui explodiu quando meu pai falou – nessas palavras – que “concordava em gênero, número e grau” com o cara.
A minha resposta foi que ele pode concordar, não pode é distribuir panfletos (homofóbicos). Eu me senti muito crescida e estudante de direito falando isso, mas era o que eu realmente achava. Por mais que algo dentro de mim ainda sinta a necessidade de criar polêmica e discutir com as opiniões discordantes (principalmente as que eu considero absurdas), eu estou aprendendo a me controlar e entender que não é o conteúdo que importa, é a forma. Lembram da frase de Volteire: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las“? Pois é, esse é o princípio.
Não importa nem mesmo o quão homofóbicos ou racistas sejam os seus pensamentos, e consequentemente suas palavras, desde que se tenha bom senso. Ser racista ou homofóbico não é crime, ser agressivo e ofensivo é. Eu posso não gostar de cabelos loiros, o que não significa que eu vá espancar, xingar ou me afastar de todas as pessoas loiras do mundo. É, de novo, a questão de se conviver com os “defeitos” (na sua opinião) alheios. A mágica está toda em perceber que ser negro, ou homossexual, ou loiro, ou qualquer outra coisa é uma das caracteristicas de uma pessoa. Isso não diz quem ela é, e não afasta nem diminui todas as características boas que ela também tem.
É muito comum pegar essas marcas que a gente ainda considera polêmicas e personificar. Aquele professor que tem três faculdades, leu cinco mil livros e fala sete línguas não é “inteligente pra caraca“, é só negro. Aquela menina bonita, simpatica e cheia de atitude não é uma baita sortuda, é gay. É tomar a parte pelo todo de uma forma prejudicial. Nunca vem unido por um “e”, sempre por um “mas”. E no fim das contas, está tudo na nossa cabeça.
Então, okay, eu não gosto do fato de algumas pessoas terem cabelo loiro, mas minha melhor amiga tem, porque, apesar disso, ela tem tanta coisa boa que acaba suprimindo a parte que me deixa desconfortável, e não o contrário. Eu posso não gostar do cabelo loiro dela, eu posso dizer – respeitosamente – que eu não gosto de cabelos amarelos; o que eu não posso é desrespeitá-la, exclui-lá, xingá-la ou qualquer coisa do tipo devido a sua cor de cabelo. Eu posso pensar e falar o que quiser. A questão é que eles também podem.
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7 Comments

  • Reply sobrefatalismos 31 de maio de 2011 at 14:31

    Estou te aplaudindo daqui, porque você está coberta de razão.
    Já pensei em ofender o Bolsonaro na rua. Fazer com que ele prove do mesmo veneno. Mas isso não seria adulto da parte de ninguém. Melhor mesmo é a indiferença.
    Abraços.

  • Reply A felicidade é um estado de espirito 31 de maio de 2011 at 19:14

    UM dia espero eu que ele morda a própria língua e cai pra trás envenenado!!

  • Reply Ana Luísa 2 de junho de 2011 at 00:51

    Super concordo com você. E esse post veio super a calhar no dia da imprensa hein? =D
    E poxa vida, sou loira! hahahahah
    Beijos!

  • Reply Vanessa 5 de junho de 2011 at 16:21

    Esta confusão rende muito, né? Bolsonaro fala barbaridades e muita gente aplaude. De certa forma, ele também pode falar o que quiser. Mas aí é que deve entrar o respeito para frear absurdos, nos fazer parar para pensar se aquilo que detestamos é tão ruim assim ou se sou eu que estou sendo tola em ser preconceituosa.

  • Reply Amanda B. 7 de junho de 2011 at 12:20

    Aí entra uma questão de respeito mútuo. Essa polêmica de gays e igreja rende muita conversa aqui em casa porque parte da minha família é evangélica e ninguém concorda com isso, mas respeitam. Em todo caso, tem gays que não conseguem respeitar a religião também :/ Queimam a bíblia na frente da instituição, banalizam os ideia dos religiosos, etc etc. Então os dois lados acabam botando lenha na fogueira, e pelo visto, esse assunto ainda vai durar muito tempo e causar muita dor de cabeça a todos :////

  • Reply bárbara 9 de junho de 2011 at 19:55

    concordo plenamente com o post, sou a favor da opinião e contra o preconceito. a favor de toda e qualquer opinião, contra a todo e qualquer preconceito. mas a frase de Volteire; “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las” diz tudo.

  • Reply Julianna Alves 11 de junho de 2011 at 08:38

    eu apoio cem por cento seu texto de faço de suas palavras as minhas Pah!
    Acho um absurdo esse negocio de não prestar atenção em quem é, mais já querer rotular uma pessoa por uma coisa exterior – afinal, por dentro nós não somos todos iguais?
    grande beijo (:

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