Pessoal

Polina

Volta e meia eu começo a divagar e traço um panorama das minhas neuras e mania que normalmente, como é de se esperar, remontam à minha infância. Normalmente eu omito essa parte, porque backstory em excesso é um saco, mas dessa vez eu me sinto obrigada a dar uma informação pequenininha: meus pais não curtem bicho. Nenhum tipo de bicho — cachorro, gato, papagaio, periquito, rato, morcego, cobra. Não houve santo que convencesse eles a me darem um cachorro na infância (nem me deixarem ter um gato depois de velha) e, como compensação, eu desenvolvi um certo medo de cachorro que só fui superar depois dos vinte. Crescendo, o único bichinho na minha casa era meu irmão mesmo (brinks).

Apesar disso, minha carência crônica e excesso de amor represado nunca me deixaram desistir de ter um bichinho. Qualquer um que fosse. Então, lá pelos doze anos consegui finalmente convencer a família a me deixar comprar um hamster chinês (aquele pequenininho e fofinho que parece um mini porquinho da índia). O primeiro nome do bichinho era Stuart, porque no pet shop informaram que era um macho. Então (de alguma forma que eu não me lembro mais) descobrimos que era, na verdade, uma fêmea. Thuty.

Tuthy não era uma hamster muito simpática. Ela me mordia até arrancar sangue sempre que eu pegava ela para conseguir limpar a gaiola, mas eu gostava dela mesmo assim. Thuty tinha uma casinha em formato de abóbora, uma rodinha, adorava sementes de girassol e tomava sol de vez em quando. E não muito tempo depois morreu em circunstâncias que eu prefiro não comentar. Foi enterrada com toda pompa e circunstância no Bosque da Freguesia.

Não muito depois, quase dez anos atrás, e depois de outro trabalho intenso de convencimento e chantagem emocional, minha filha ave entrou para a família. Só que na época era filho (observam algum padrão?). Paul Anka foi o nome de batismo, inspirado em c e r t o s cães de c e r t a s séries.

Algum tempo depois, Paul revelou para a família que era, na verdade, fêmea, e adotou Polina como seu nome social. Po, para os íntimos.

Acho que é melhor mesmo que eu não tenha gatos/cachorros, porque outra característica comum dos meus bichos de estimação é que eles adoram enterrar seus dentinhos/biquinhos nos meus dedos. Digamos que todxs elxs têm muita personalidade.

Nesse ponto você já deve achar que eu sou uma pessoa horrível que faz coisas abomináveis com os bichinhos para merecer essas mordidas. Juro que não. Prova disso é que a Po, mesmo não morando comigo (ela ficou na casa dos meus pais quando eu me mudei), ainda me ama e me segue para todos os cantos quando eu estou lá. A questão toda é que ela realmente tem muita personalidade (mais que muita gente), o que é basicamente um eufemismo para dizer que ela é um tanto quanto mimada.

Sim, meu passarinho é mimado.

Ela odeia couve. Sempre que a gente inventa de colocar couve na comida dela, ela apenas cata todos os pedacinhos de dentro do pote e joga para fora da gaiola. Mas cenoura ela gosta muito, obrigada. E é só a gente abrir a gaiola que ela dá uma circulada e, mais cedo ou mais tarde, estaciona em frente ao sofá, esperando um pé surgir do céu para ganhar um colo. Assim que o pé esperado surge, ela sobe e espera o elevador ser acionado — e se não for, é bicada certeira no dedão. Para conseguir o que ela quer, ela corre, escala, voa, faz o que for preciso.

Ela odeia vermelho, tudo que for vermelho, e unhas escuras. Trava altas lutas consigo mesma no pé espelhado dos banquinhos da cozinha. Odeia com força a convivência com qualquer outro animal, principalmente aves. Ah, e na hora de dormir, eu sempre passo uns bons minutos correndo atrás dela em volta da mesinha de centro.

A Po é terrível. Com uma boa dublagem, podia ser personagem principal de um filme da sessão da tarde. Não basta a criaturinha ter conseguido conquistar o seu colo, ela quer toda a sua atenção; e vai bicar livros e computadores e celulares e o que quer que esteja roubando a atenção que é dela por direito. E se o carinho não estiver como ela quer, ela bica também. Aí você grita e ameaça e jura que não vai mais fazer carinho por um mês. Então ela te olha com aquela carinha cínica e inocente, e o seu coração derrete.

Como não amar?

Esse post é parte integrante do meu BEDA. Para saber mais sobre essa cilada leia esse post. Tem sugestão de tema ou pergunta para a minha pessoa? Deixe nos comentários ou entre em contato.

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5 Comments

  • Reply Bolo de Cookie 18 de agosto de 2015 at 11:21

    Ontem travei uma discussão acalorada na pós porque estávamos falando de linguagem, e tinha parte da turma (inclusive a professora) que cismava que animais não tinham linguagem própria. É claro que tem!!!!!!!!!

    Linguagem, personalidade, vontade própria, manias, tudo isso. Vai dizer que Dindi não se comunica? Que ela não faz uma vozinha de manha quando está com a minha mãe? Vai dizer que Po não te contou tudo isso aí através dos atos dela?

    Não sabia que Po era Paul Anka hahahahahahha adorei essa história
    E quando Dindi chegar aqui, finalmente, vamos visitar o seus pais com ela para eles se apaixonarem perdidamente e já começarem a planejar comprar um Boston <3

    Te amo muito

  • Reply Naninha 18 de agosto de 2015 at 11:39

    Gente! Que história ótima, Po é mais sensacional do que eu pensava, então!
    Eu tenho um amigo que tem um cachorro chamado Paul Anka e eu sempre achei mega aleatório, agora descobri de onde vem, rs (ele também é viciado em Gilmore Girls).
    Não sabia que o nome da Po era POLINA, aff, que maravilhosa essa passarinha.
    E: bichos mimados, AMO. A Kimmy é MUITO mimada.
    Agora tô com uma questão aqui.. Se Po odeia outras aves, como que ela te ama tanto? Um caso a se pensar, hihi..

    Te amo!

  • Reply Ana Flávia 18 de agosto de 2015 at 12:30

    Owwn. Que fofa a Polina, Paloma. <3
    Bichos com personalidade é o que nos faz amar mais ainda né?
    Macgyver também ama cenoura e odeia outros cachorros. Ele tem certeza que é gente, será que a Po também?! 🙂
    Nunca tive uma passarinha minha, meu pai ama.
    Não sabia que passarinha podia ser mimada, olha só. Adorei.

    Seja bem vinda de volta ao Prato. 🙂
    Beijão. ♥

  • Reply Plân 18 de agosto de 2015 at 20:35

    Como não amar Po? Eis uma questão.
    Eu não era uma pessoa muito chegada a aves, e a primeira que eu tive contato foi com Po. <3
    Apesar de não ter feito carinho nem levado bicada no dedo, acredito que foi amor a primeira vista. Ou (provavelmente) só loucura da minha cabeça.
    Polina é um belíssimo nome para aves. Adorei. <3

    Sdds Po, sdds minha pássara <3

  • Reply Leticia 18 de agosto de 2015 at 22:39

    awn, que coisa fofa! A Po é linda <3
    Calopsitas são muito amor. Especialmente as com personalidade (fiquei imaginando ela cutucando a comida e tirando a couve, qto amor)
    Esse post me lembrou de um pássaro que eu tive quando criança, a Pitinha. Ela me odiava 🙁 e não era personalidade não, era pessoa o problema no caso comigo. Mas a vida segue… haha

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