Pessoal

Porque nunca escreverei um livro

Um dos meus grandes sonhos é escrever um livro. Criar uma história que alguém – além de mim – tenha vontade de ler, uma história que nunca tenha sido contada antes, de preferência. Não é um sonho incomum, nem dos mais difíceis de se atingir. Pensa só: não depende de sorte, não depende de mais ninguém. Mesmo porque não estou falando em publicar um livro, só escrever mesmo.
Infelizmente, a cada dia aumenta a minha convicção de que isso não vai acontecer. Nunca. E não é por falta de tentativas, não. Talvez seja um tipo de autossabotagem, vai saber. Eu tenho até algumas ideias de quando em quando. E vou acabar lotando a memória do computador, só de rescunhos, esboços de personagens, e até começos de livros. Mas nunca um livro completo.
Talvez minhas ideias nem sejam tão ruins, isso não sou eu que vou dizer, mesmo porque é a principal pedra no meu caminho. A história surge na minha cabeça, às vezes completa. Eu adoro, acho brilhante. Pesquiso, organizo, planejo. Até começo a execução. E então, antes do meio do caminho, me parece a pior ideia que já passou pela cabeça de um ser humano – vivo ou morto. E todo o trabalho acaba movido para a pasta “lixo literário” do meu computador.
Não é frescura, não é superável. Pode ser até que alguém consiga fazer isso, mas para mim a rejeição pela minha própria história é algo que nenhuma persistência pode superar. Sim, eu sei que escrever é 10% inspiração e 90% transpiração e toda essa história, mas há muito tempo não se trata mais de buscar inspiração. É uma espécie de depressão pós-parto de filho não nascido, você não quer chegar perto daquilo que está saindo de você, você quer que ele fique enterrado bem fundo e nunca veja a luz do sol, quer esquecer que ele existe.
Não sei se é um sentimento comum, não sei nem se acontece com alguém além de mim. Só sei que é o que eu sinto, e esse sentimento só vai me deixando mais e mais frustrada a cada nova tentativa. E vai me afastando cada vez mais da escrita.
Não estou planejando desistir ainda. Só que o ânimo vai  minando aos poucos. Mas uma coisa eu prometo: ninguém vai ver me ver assinando qualquer porcaria feita desleixadamente. Se algum dia meu nome estiver em alguma porcaria, saibam que eu fiz convicta, com toda a dedicação. Para mim é tudo ou nada.

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22 Comments

  • Reply Tay 4 de fevereiro de 2013 at 02:08

    Acho digno quem tem organização pra fazer um livro, precisa de muita disciplina, seja pra publicar ou não. Eu estou fazendo isso pela primeira vez, mas disciplinada eu não sou, talvez isso não impossibilite meus feitos, mas faz demorar mais, certamente. Por isso que não sou um exemplo a se seguir, hahah.
    Mas seria interessante que você desse mais um crédito a si mesma, Paloma. Às vezes é insegurança mesmo, de achar que tá ruim, sendo que nem está às vezes. Mas aí é com você.
    Beijo, queridaa! Ah, e tô feliz que você esteja botando Mia Couto na sua lista, comentei isso lá no meu blog, mas como não sei se te avisa, tô colocando aqui também. Depois me diz o que tu achou! Beijos.

    • Reply Paloma 15 de fevereiro de 2013 at 07:58

      Tomara que seja mesmo, Tay. Se Deus quiser, um dia vamos descobrir!
      Pode deixar que você receberá informações em primeira mão quando eu terminar meu primeiro Mia Couto!

  • Reply Carlos 4 de fevereiro de 2013 at 02:46

    bukowski dizia pra brigar com a máquina de escrever como se fosse uma luta de boxe, bater mais forte e não se abalar com os golpes recebidos.
    acho que a inspiração é muito importante, mas depender só dela é complicado.

    • Reply Paloma 15 de fevereiro de 2013 at 08:00

      Quem dera meu problema fosse só inspiração, Carlos. Mas vou continuar tentando treinar meus socos!

  • Reply Nathália 4 de fevereiro de 2013 at 15:43

    Sempre que vejo alguém falando que escreveu um livro, eu sinto uma invejinha por dentro, porque compartilho o mesmo sentimento que você. Acho que nunca vou ser capaz de escrever algo que cative as pessoas, tenho muita dificuldade em deixar alguém ler o que eu escrevo e um livro é uma coisa que irá me expor completamente, eu começo a julgar antes mesmo das pessoas fazerem isso. Espero que algum dia isso mude!
    Beijos 🙂

    • Reply Paloma 15 de fevereiro de 2013 at 08:01

      Pois é, Nathália. Poucas pessoas que eu “conheço” têm permissão para ler o que eu escrevo. Talvez essa seja parte do problema.

  • Reply Minne 4 de fevereiro de 2013 at 21:35

    Não é a única messssssmo. Também tenho muita vontade de fazê-lo, no entanto tenho quase absoluta certeza de que não seria lá muito capaz, porque, gente, só de pensar no trabalho que dá, desisto por hora. Primeiro porque há tanto sobre o quê escrever, e eu não saberia escolher, só se numa baixada de santo ou algo do gênero. Depois há isso mesmo de achar a coisa muito ridícula, e não conseguir botar pra frente por conta disso. Além do mais, tem que ter muita paciência pra reler a história um zilhão de vezes, pra tanto ver se a coisa toda tá fazendo sentido, se não há contradição, erros ortográficos e blablabla. E lá se vai minha vontade.
    Acho que, se um dia eu tiver iluminada o bastante pra começar a escrever um, a conslusão deste se dará em, no mínimo, 10 anos, sendo muito otimista.

    • Reply Paloma 15 de fevereiro de 2013 at 08:07

      Realmente, escrever um livro dá trabalho. Mas acho que é uma coisa a que você se compromete quando decide começar, certo? É como a Tay falou ali em cima: exige disciplina, muita. Outra coisa que eu nunca fui muito boa!

  • Reply Maria 5 de fevereiro de 2013 at 15:31

    Sou assim também. Não suporto qualquer coisa que eu faça. Incluindo este comentário…

    • Reply Paloma 15 de fevereiro de 2013 at 08:07

      Também não precisamos chegar a tanto, né? Algumas coisas que fazemos merecem algum crédito!

  • Reply Srt . Vasconcelos 6 de fevereiro de 2013 at 08:41

    Poste sua “porcaria” mesmo sem fim aqui no blog. Se alguém gostar provavelmente você vai se sentir bem em continuar *-* e eu ia adorar ler, nao creio que alguém que escreva tão bem possa escrever alguma porcaria.

    • Reply Paloma 15 de fevereiro de 2013 at 08:09

      É uma ideia, já até pensei em fazer isso. Mas a maioria das pessoas não gosta de ler esse tipo de coisa, no fim eu acabaria frustrada. E eu sou muito “protetora” em relação às minhas histórias. Mas obrigada pelos elogios!

  • Reply marcela 6 de fevereiro de 2013 at 15:32

    Comecei bem uns três livros e nunca terminei, mas no meu caso, foi por pura preguiça mesmo e nem faço questão de ser a história do século, só que gosto de brincar de Deus criando personagens e cenas e dramas, só queria ter a mesma empolgação para terminar isso. ahuahauh beijos!

    • Reply Paloma 15 de fevereiro de 2013 at 08:10

      Tudo o que consegui terminar foi uma fanfic na adolescência, Mah. E essa realmente não tinha nada de revolucionário. Acho que sou ambiciosa demais!

  • Reply A felicidade é um estado de espirito 8 de fevereiro de 2013 at 00:46

    Palominha você só vai saber se o que escreve é lixo literário ou não se você der a cara pra bater e deixar o filho vir ao mundo, caso contrario vai passar a vida inteira pensando no “será?” infelizmente não tem outro caminho. Aceite um conselho: Não se subestime e nem se sabote se o que você escreve não fosse realmente bom eu não viria aqui tantas vezes e você não teria pessoas te seguindo naquela janelinha ali em cima. Você só tem que confiar mais em você. #Imysincera# bjimmm.

    • Reply Paloma 15 de fevereiro de 2013 at 08:11

      Talvez você esteja certa, Imy. Mas não consigo, está além de mim deixar vir ao mundo uma coisa que eu abomino e ter meu nome ligado àquilo para sempre!

  • Reply Deyse Batista 12 de fevereiro de 2013 at 12:42

    Não sei se é comum, Paloms, mas posso te dizer que já senti o mesmo. Vou mais além: pego abuso das histórias que eu invento. Acho tão ruim, tão ruim que mesmo que eu já tenha tudo na cabeça, não consigo mais passar para o papel.
    Mas um dia a gente consegue! Né?
    Beijo.

    • Reply Paloma 15 de fevereiro de 2013 at 08:12

      Exatamente isso, Dedê! A história já está completa, tenho o rascunho até o fim e tudo o mais; não é falta de inspiração. É “abuso” como você diz (amei a palavra).

  • Reply Vanessa 13 de fevereiro de 2013 at 12:12

    Nossa, isso é sério, Paloma. O que você chama de “depressão pós-parto de filho não nascido” eu chamo simplesmente de “bloqueio”. E comigo não é só uma rejeição, mas um medo da criatura, como se eu tivesse criado um bicho-papão HAHAHA
    Mas acho que é questão de confiança. E é superável sim.

    • Reply Paloma 15 de fevereiro de 2013 at 08:14

      Acho que pode ser até uma questão de confiança mesmo, Vanes. Pode, não; deve. Porque não é possível que TODAS as histórias sejam tão ruins assim. Talvez seja em parte um pouco de medo, também. Medo do que pode acontecer depois. Mas nós vamos conseguir!

  • Reply Luana 13 de fevereiro de 2013 at 12:55

    Eu ja escrevi um livro… Um romance muito do ruim, quando eu tinha uns 15 anos…. So a minha avo leu e achou (claro!) a coisa mais maravilhosa do mundo… Eu ate joguei fora, muitos anos atrás, de vergonha! Mas eu não perdi a vontade de escrever outro.. dessa vez um q eu ache bom… Sera que um dia consigo? tenho a impressão que so vou fazer isso quando me aposentar e tiver tempo pra ficar dentro de casa fazendo nada… Mas ate la vai ter outra coisa mais legal que blog, ou twitter, pra eu perder meu tempo e provavelmente nao escreverei mais nada…

    • Reply Paloma 15 de fevereiro de 2013 at 08:16

      Eu também escrevei uma história longa completa por volta dessa idade, Luana. Provavelmente muito ruim também. Só que era uma fanfic, e é bom saber que algum dia alguém leu algo meu! (Eu sei que algumas pessoas leem esse blog, mas é diferente.) Eu sei que você consegue, desde que queira! Agora, esperar a aposentadoria eu não quero. É muito tempo, quem sabe o que pode acontecer até lá?

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