Pessoal

Quatro cinco quinze

O que dizer desse quatro de maio, se não que ele foi o pior do século? Só sei pensar que exatamente um ano antes eu estava na praia, rolando na areia, ficando louca e comendo biscoito grobo com algumas das minhas pessoas favoritas no mundo. E aí teve 2015, em que 04/05 não apenas fez questão de cair em uma segunda-feira, como foi regado a ressaca moral e a saudade.

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Meia noite me encontrou dormindo, no milésimo sono, em uma cama de solteira dividida com certas pessoas, porque a filosofia de vida da gente é que espaço pessoal é uma invenção capitalista-burguesa com a qual apenas não concordamos, e também porque outras pessoas que ainda não se livraram dessa convenção social estavam logo ao lado, no meu único colchão de ar (coitada). Pensando assim, o dia não começou tão nada ruim.

Isso, claro, até que uma dessas pessoas me acordou antes das cinco da manhã para se despedir. E se você acha que o problema da frase anterior é o despertar antes do sol, você tem prioridades muito estranhas e distorcidas.

Depois de ter meu coração partido pela milésima vez em vinte e quatro horas, voltei para a cama, porque apenas não sou obrigada. Duas horas depois acordei de verdade, e então o dia de merda começou.

Tomamos café e partimos para o mundo, porque agora tenho contas a pagar. E a despedida final veio no ônibus mesmo, sem nem chances de apreciar como se deve todo o sofrimento e crises de choro que são tão fundamentais toda vez que a gente se vai.

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Cheguei no trabalho me sentindo atropelada por um caminhão, por dentro e por fora, já que, entre baladas épicas, despedidas de solteiras, passeios tradicionais, banhos de mar e nasceres do sol nas areias de Copacabana, eu não devo ter dormido mais de dez horas no feriado inteiro. As nove horas seguintes foram pouco mais que um borrão, intercalado pelo sofrimento voluntário e constante de postar no instagram ou ser marcada em alguma foto do fim de semana. Pleno 2015 e ninguém inventou ainda a máquina do tempo. Ou o teletransporte.

Daí para uma consulta médica de rotina, onde encontrei com a doutora (que em condições normais é a mais fofa do mundo, mas) que calhava de estar ainda menos feliz do que eu, porque alguém não muito gentil tinha ofendido a letra dela logo antes de eu entrar. Yay! Levei bronca por coisas que não eram nem remotamente minha culpa, e fui jantar com os meus pais.

Cheguei em casa, troquei algumas palavras com minha-roomie-melhor-roomie, e fim de papo. Caí na minha cama maravilhosa, estranhando obviamente todo aquele espaço e chorando de saudades de algum corpo quente para abraçar à noite. E assim esse dia pesadeloso se foi.

Paciência. Tem outros quatro de maio.

“A life without love, is no life at all.”

“A life without love, is no life at all.”

2012, 2013, 2014

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5 Comments

  • Reply Analu 15 de maio de 2015 at 11:36

    Passarinha, comentei no blog da Xará falando justamente que amo que a gente volta de encontrão e fica postando sobre o assunto em etapas, e aí cada vez que aparece um post eu venho correndo ler e meu coração sempre fica apertadinho de amor e saudade, dessa vez com o consolo de que FALTA POUQUINHO pra gente se esmagar de novo <3 O feriado foi perfeito, quero mais pra sempre.
    Te amo! <3

  • Reply Camila Faria 15 de maio de 2015 at 16:20

    Fundamental uma máquina do tempo para essas horas. Ou teletransporte.

  • Reply Alessandra Rocha 15 de maio de 2015 at 21:07

    Nossa que morte horrível nem sair do feriado e já cair de novo no escritório! Mas pensa nas coisas boas enquanto não inventam máquina do tempo, ou teletransporte… E pensa que haverão outros encontros e outros 4 de maio haha

    beijo Palo! E vê se não suma!

  • Reply Sharon 22 de maio de 2015 at 10:57

    Eu demorei um tempão pra comentar esse post porque sei lá, achei difícil pacas? Vamos fingir que só voltar de feriado já não é um abuso do universo, porque até pouco tempo atrás eu jurava que a saudade ia sim apertar, mas que o pior era voltar de um feriado cheio de folia, e com tanto cansaço que só outro feriado podia curar. Eu nem imaginava que o pior mesmo era esse caminhão de emoções que atropela a gente. Sei lá, queria cancelar os próximos dias até poder rolar com vocês de novo, mas o que me consola é que falta bem pouquinho pra gente se encontrar – mesmo que, no meu caso, sejam só por algumas horas. Não se pode ter tudo, mas pelo menos posso ter um pouquinho.

    te amo <3

  • Reply Lilica 23 de maio de 2015 at 11:17

    Ah Passarinha, a volta a realidade foi mesmo muito difícil né? Mas a parte boa é: melhor tipo de saudade é essa em que vivemos momentos incríveis e passamos o resto da vida tendo saudades desses momentos incíveis! Melhor de tudo é saber que tivemos um finde/feriado inteirinho para nós, vivendo como cariocas no nosso apê e nos amando loucamente! Já pode repeitr, Produção??

    Te amo e muitas saudades já…

    Beijocas

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