Pessoal

Querida eu,

                       Não posso te contar nada de novo. Tudo o que eu sei você está cansada de saber, tudo o que vivi você viveu muitas vezes mais. Porém, apesar de tudo, eu ainda tenho umas poucas coisas a dizer a você.

Considerei fazer o contrário, escrever para nós no comecinho da nossa história. Dar avisos, concelhos. Mas pensei bem e percebi que tudo o que aconteceu teve consequências, e que se eu tentasse reescrever tudo eu poderia simplesmente cometer um suicídio acidental. Se eu fizesse isso, podia acabar matando a pessoa que eu sou hoje, e a que eu serei amanhã, isto é, você.

Então resolvi escrever para alguém que não poderia ser influenciado, alguém que já cometeu todos os erros que poderia cometer. Nesse momento estamos no fim. Não sei se estamos bem velhinhas, ou muito doentes, ou seja a situação que for, a questão é que estamos morrendo, e por isso eu não preciso mais medir palavras.

A essa altura do campeonato não cabem mais conselhos, não cabem mais votos de felicidade. A única coisa que posso fazer nesse momento, e a única coisa que quero fazer, é agradecer. Pelos erros, pelos acertos. Muito obrigada por ter existido, e por ter vivido cada dia, bom ou ruim. Obrigada por ter tido coragem em momentos decisivos, e por ter errado em momentos cruciais. Muito obrigada pelos amigos que você me deu, pela nossa formatura da faculdade, pela realização do nosso sonho secreto. Obrigadinha por toda e qualquer coisa que eu ainda não sou capaz nem mesmo de imaginar.

Espero que essa carta não te traga desgostos demais, e que você não tenha muitos arrependimentos que te tornem essas linhas doloridas, mas não podia te deixar ir sem essas palavras finais. Acredito que sejam um ponto final decente pra nossa história que (pelo menos na nossa cabeça) foi digna de novela.

Com muito amor,

Paloma

Texto postado originalmente no WordPress.

Previous Post Next Post

You Might Also Like

No Comments

Leave a Reply