Pessoal

Sem título

Queria falar de coisas profundas, mas como se faz isso quando você se sente meio vazia. Como se faz isso quando turo parece agora de mentirinha? Eu sei que trinta e oito graus de febre não ajudam, mas são tudo o que eu tenho agora. Acho que talvez ainda não tenha vivido o bastante pra saber o necessário.

Não é por causa da idade, não é a idade que diz o quanto uma pessoa já viveu, mas o que ela viveu é que é importante. E quando eu páro pra pensar eu vejo que eu não vivi nada. Minha geração não tem espírito revolucionário, nós nem mesmo assistimos ao jornal na maioria dos casos. Eu nasci e vivi todos os dias da minha vida muito bem cuidada, mimada e protegida. Tudo é de acordo com que eu quero, porque a vontade disso fez com que eu conseguisse desenvolver minhas habilidades de persuasão muito bem obrigada. Vivi coisas de adolecente normal, tudo na maior perfeição. Brigo com meus pais eventualmente, minha mãe é extremamente raro, geralmente é com o meu pai, mas isso é só mais uma parte daquilo que é “tudo do meu jeito”. Claro que é impossível ganhar sempre, pelo menos eu fico feliz que a coisa pode ser frenqüente. Depois que meu mundo e meu grupo de amigos deixou de ser um grupo fechado e conciso feito totalmente de menininhas e eu finalmente entrei no mundo real, que é constituído de meninas e meninos (e descobri que infelizmente tem mais do primeiro tipo), eu desenvolvi uma relação legal com o sexo oposto. Legal demais, talvez, visto que eu falo muito sério quando eu digo que eu ouço coisas na condução (onde eu sou a única representante do sexo femenino) que eu não desejo pra nenhuma garota. Rs. Mas isso é só parte do tempo, todo o resto eu realmente gosto daquelas pessoas, assim como gosto das pessoas que estudam comigo (ou deveria dizer “não estudam comigo”), e as que eu sei que são eternas e moram definitivamente dentro do meu coraçãozinho.

É tudo muito perfeito, tudo hermético, cheira a hospital eventualmente. Então eu penso que eu invento crises. Não é consciente, mas é a única explicação plausível pras crises que eu tenho. Eu acho que eu sou uma paranóica que precisa desesperadamente sentir algo, então põe defeito no que está tão bom.

A outra opção também não é muito legal. É que eu sou tão egoísta ao ponto de querer que tudo seja perfeito pra mim, enquanto em vários lugares, em várias vidas, tudo está desmoronando. E os defeitos superáveis me irritam. E infelizmente essa explicação parece mais aceitável.

Talvez eu esteja tentando fugir do que só pode ser feito por mim. Talvez eu sei o que eu tenha que fazer, mas realmente não quaira fazer isso, porque isso implica em outras coisas, coisas “não legais”, coisas que eu preferia não ter que me aproximar, mas coisas que você esta sujeito a passar se você está vivo. E não só se respira, come e dorme, porque aí você pode tá imune do problema em si, mas não de uma (e a pior, na minha opinião) ou quem sabe mais de uma, de suas conseqüencias.

O último talvez, que é talvez por costume de querer me esquivar, mas é necessáriamente e conscientemente uma certeza. Talvez eu devesse apenas parar de cuspir coisas que no final só cabem a mim e ir estudar química.

Última coisa, dessa vez é uma promessa. Minha amiga-mãe, uma das pessoas mais Jessicas que eu conheço, e definitivamente a mais loira delas, me deu sem querer e sem saber o nome disso outro dia, o nome que eu eu tava procurando e não conseguia achar. Se chama “cansaço emocional”. E termino com um suspiro. Ponto final

Texto originalmente postado no Uol blog.

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