Pessoal

Sobre confiar

Já estou quase duas semanas atrasada, mas sempre é hora de falar, e desde o dia 27 de setembro eu estou com vontade de expressar toda a minha admiração pelo dia de Cosme e Damião.
Até onde eu sei, a data não é muito comemorada fora do Rio, então, para quem não sabe, explico que por aqui esse é um dia em que as pessoas distribuem doces para as crianças e as ruas ficam cheias delas, com mochilas e sacos plásticos, correndo atrás de qualquer um que pareca estar em posse de açúcar.
Quando eu era mais nova, mandava meu irmão sair pela rua em busca de aventura e ficava em casa esperando que ele voltasse com os doces, sempre fui preguiçosa mesmo. Então ele chegava em casa com dezenas de saquinhos de doce, e nós sentávamos e partíamos para a seleção: os doces bons iam para o potão, os ruins eram descartados imediatamente. E passávamos semanas nos alimentando daqueles doces, felizes e cheios de açúcar no sangue.
Você pode achar que entende, agora, o motivo da minha afeição por essa data, mas eu digo que não. Mesmo porque, meu irmão está agora a um ano de completar a maioridade e os doces só nos chegam por vias indiretas. Ainda assim, essa data é especial para mim. Que me perdoem aqueles que sentem prazer em criticar todas as datas comemorativas, eu fico satisfeita de gostar delas.
A razão real pela qual eu gosto dessa data, e só fui descobrir isso esse ano, é que quando ela chega todo o mal do mundo parece sumir, mesmo que só por um dia. Por um dia as pessoas não veem mal em distribuir doces para todas as crianças que passam, por um dia ninguém liga de deixar os filhos faltarem às aulas e correrem soltos por aí, e, mais importante ainda, por um dia são revogadas as ordens de não aceitar doces de estranhos. E nada de ruim acontece, pelo menos até onde meus conhecimentos se estendem (e eu realmente acredito que notícia ruim circula rápido). E todo mundo confia em todo mundo. E as crianças ficam mais alegres que o normal, correndo de um lado para o outro e pulando, não importa se de animação ou de excesso de açúcar na corrente sanguínea.
Tudo isso porque, por um só dia, todo mundo é bom, e o mundo parece perfeito.
Previous Post Next Post

You Might Also Like

5 Comments

  • Reply Anna Vitória 10 de outubro de 2012 at 20:21

    Que lindo, Pa! Eu sempre fiquei curiosa sobre esse dia de Cosme e Damião por causa dos livros do Machado de Assis, que sempre trazem alguma passagem dessa época. Deve ser legal mesmo. =)
    beijos

  • Reply Ana Luísa 10 de outubro de 2012 at 22:25

    Ai Pá, que delícia! Minha primeira infância, passada em Vitória, teve muito disso! O pessoal passava de porta em porta no prédio distribuindo doces, era uma delícia!! Me mudei pra São Paulo aos quase 8, e lá nunca teve essa tradição.. Mas adorava o dia de Santa Luzia, que é em dezembro, quando vovó sempre colocava pratos nos pés de nossas camas, pratinhos com capim. Santa Luzia vinha com seu cavalo, o cavalo comia capim e deixava doces! Era incrível, até a gente perceber que a Bia e o Bernardo (2 primos meus) ganhavam mais… e curiosamente, eles são os filhos do meu tio dono de mercearia! HAHAHAHAHA
    Adoro essas histórias! <3

  • Reply A felicidade é um estado de espirito 11 de outubro de 2012 at 11:56

    Aqui em Fortaleza num tem disso não, tem o dia reizado que é em janeiro e todo mundo sai de porta em porta cantando e recolhendo prendas. vi a paçoquinha ali na foto eu amo paçoquinha de amendoim. bjs!!

  • Reply Viviane Magalhaes 11 de outubro de 2012 at 12:51

    amo SUSPIRO, ai céeeeus rs

  • Reply del 11 de outubro de 2012 at 13:42

    Em São Paulo ninguém comemora Cosme e Damião. Quer dizer, a cidade é enorme, alguém em algum lugar deve comemorar, mas não é uma regra. O que é uma pena porque eu faria de tudo pra ganhar doces, mesmo muito longe da infância 😛

  • Leave a Reply