Pessoal

Tons de cinza

Eu sou uma pessoa meio esquecida. Geralmente preciso ser lembrada constantemente das mesmas coisas, coisas importantes que eu teimo em esquecer. Uma delas é que nem tudo no mundo − para falar a verdade, quase nada − é preto no branco.

Essa é uma das coisas mais difíceis de se perceber na vida. O fato de duas pessoas de lados opostos poderem estar certas sobre uma mesma questão é algo muito abstrato. É só quando eu vejo um adversário agir exatamente como eu sei que eu agiria, se estivesse no lugar dele, que essa revelação toma conta de mim. O ponto de vista tem um papel tão importante em todos os momentos e todas as opiniões, e mesmo assim é difícil de enxergar. Nós somos cegos para tudo o que não está na frente dos nossos olhos.

Ontem, voltando para casa de uma festa infantil, passei de carro no meio de um bloco de rua e o guarda que controlava o transito mandou seguir, ainda que o sinal estivesse fechado. Do outro lado do cruzamento, num sinal de pedestres aberto, recebemos vários olhares feios e gritos. Um exemplo perfeito para mim, eu que abomino tanto motorista que não respeita pedestre. Alguém estava realmente errado? Acho que não. Mas ninguém também estava realmente certo. A gente faz o que faz, e ponto final. Cada um com suas desculpas.

Isso é uma lição que eu gostaria de botar no bolso e levar comigo. Guardar bem guardadinho para não esquecer. Mas cinco minutos depois e, olha lá eu, já estou esquecendo de novo. Ainda bem que alguém em algum lugar insiste em me ensinar as mesmas lições de novo e de novo. Quem sabe algum dia eu aprendo de vez.

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