Pessoal

Tudo em família

Se me lembro bem, faz já um ano e meio que minha bisa se foi. Só agora, com o fim do inventário é que a casa vai ser vendida. E como se aproxima a hora da mudança, minha avó convocou a família no almoço de domingo para esvaziar o armário da bisa.
As roupas já tinham ido há muito. Mas outras coisas como roupa de cama e banho, bolsas, papéis. Tudo ainda estava lá esperando. E – todos munidos de máscaras no maior estilo dentista – lá fomos nós mexer no antro de mofo que se desenvolveu no armário comido de cupim.
De lá saiu uma quantidade impressionante de fotos. Fotos absurdamente velhas. Minha avó e o irmão dela ainda bebês, depois crianças, a formatura da bisa, casamento da vovó, minha mãe e tios bebês. E toneladas de gente morta.
Não sei se só a minha família é assim. Mas nós fomos sentar na varanda com aquela montanha de papéis cheirando a mofo, olhando uma por uma e rindo. Ah, como nós rimos! São esses momentos que fazem valer a pena ser próximo da família, ainda que também se ganhe com ela grandes dores de cabeça.
Também é engraçado olhar aquelas imagens paradas no tempo. Ver que a minha mãe já foi um nenenzinho bem pequenininho e fofo, que minha avó e meu avô já se amaram, como eles eram bonitos quando eram novos. As roupas, as amigas da escola da minha avó. São histórias que aconteceram dentro da minha própria família, e eu não consigo nem imaginar.
Sabe o que eu queria? Queria uma máquina do tempo para viajar por cada uma daquelas imagens e ver com os meus próprios olhos aqueles momentos únicos. Porque eu sei que o que pra mim são apenas imagens antigas, para alguém são lembranças.
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5 Comments

  • Reply Amanda B. 27 de junho de 2011 at 12:18

    Meu Deus, que lindo :/// Eu moro longe da minha família. Aqui na cidade só vivo eu, meus pais e minha irmã, e o resto todo ficou no Ceará. Só nos encontramos no fim do ano e, quando dá sorte, nas férias de julho também. Mas nunca fizemos uma sessão de sentar juntos e ver fotos velhas :/ Ou pelo menos, nunca de pessoas tão velhas quanto minha bisa, por exemplo. O máximo são fotos dos meus tios quando criança, e mesmo assim, são pouquíssimas fotos – tanto que as vezes até repetimos a mesma o: hueheuhe. Enfim. Queria ter passado por uma situação como essa sua, caramba. Deve ter sido muito bom.

  • Reply Larissa L. 27 de junho de 2011 at 20:59

    oi Paloma!
    Adoro essas coisas em família! Há muito não consigo ver minha família reunida, por morar fora e não estar nas festinhas, mas eu adoro ver minha família crescendo, primos casando e tendo filhos e, ao mesmo tempo, ver as gerações anteriores lembrando os causos!
    É uma sensação muito boa mesmo ficar relembrando as coisas, eu adoro!!
    Beijossss

  • Reply Julianna Alves 28 de junho de 2011 at 14:13

    ai Pah, posso compartilhar? Li seu texto ontem e tive uma vontade incontrolável de virar os albuns aqui de casa… Até fiz uma coletânea no facebook ahaha
    e hmm, tem alguém que vai fazer aniversario daqui a pouco, quem seria? 😀 (boba mode on)
    beijão!

  • Reply Au 28 de junho de 2011 at 18:56

    Sentar com os parentes, olhar fotos que guardam tantos sorrisos, saudades e histórias… Isso é muito família!

    E como você disse, apesar das dores de cabeça que vez ou outra acontecem, é muito bom se sentir parte de algo.

    Beijo!

  • Reply Gabi Magnani 28 de junho de 2011 at 23:41

    Eu já dei uma olhada em algumas fotos antigas do meu pai que a minha avó guarda. É realmente muito engraçado ver que ele já foi criança um dia, que já passou pelas mesmas fases que eu passo hoje. Quando eu estiver velhinha, quero mostrar meio mundo de fotos e vídeos para todo mundo… quero contar histórias, lembrar de pessoas. Imagino que vai ser um momento muito especial!
    Eu admito que tenho a maior mania de guardar tu-do que tem algum tipo de valor sentimental: até papel de bala. Mas sempre coloco um bilhetinho do lado dizendo o porquê daquilo, se não é impossível lembrar de tudo. E então, jogo em uma caixinha… onde centenas de bilhete, fotos especiais, pedrinhas e flores murchas. Sou muito nostálgica hehehe Gostei bastante do texto, deve ter sido maravilhoso!

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