Pessoal

Uma puta sorte, ou será que é perseguição?

psicose-200x300Eu olho para trás e rio dos pobres e inocentes veteranos que éramos no começo do ano. Nunca imaginaríamos o que o destino (ou o governo, como preferir) ia aprontar essa com a gente. Não só uma vez, mas  over and over again.

Chegamos puros e intocados até aproximadamente o meio do ano. Tinhamos a pressão, óbvio, mas tinhamos também exemplos e nenhum de nós nunca viu na certidão de óbito de ninguém a palavra que um pouco depois começaria a fazer os nossos cabelos da nuca se eriçarem: vestibular.

Acontece, porém, que mal tínhamos chegado ao começo do ano e as bombas começaram a cair sobre nossas cabeças. De um segundo para outro nos transformamos de simples estudantes do terceiro ano em cobaias de alguma esperiência de mal gosto. A notícia: se virem, Enem agora é tudo ou nada.

Nós, como bons estudantes que passaram a vida sofrendo lavagem cerebral, rapidamente obedecemos, pegamos nossas coisinhas e nos viramos. Perdi a conta de quantas vezes já ouvi nesse ano (que nem acabou ainda) que sou a coisa menos importante no vestibular. Pois é, a vida é cruel. Mas nós somos brasileiros, não desistimos nunca. A vida segue em frente. Encaixe aqui o clichê que quiser. De qualquer jeito, nós acabamos nos acostumando (ou quase, já que ninguém se acostuma de verdade com aula aos domingos).

Finalmente tudo parecia ter chegado à reta final. Tudo ou nada. Faltando dois dias para o grande dia, enquanto eu retocava distraidamente minha unha às seis da manhã assistindo o jornal e esperando pela condução, mais bomba. O Enem foi adiado, foi o que a moça da televisão disse. Pateticamente, eu tive que discutir, Impossível, gritei. Bem, não era impossível, o destino passou a perna em nós mais uma vez. E de novo nós fomos obrigados a dar um jeito.

A última, recém saída do forno, foi divulgada hoje no site da UFF ( Universidade Federal Fluminense), que por causa da grana do governo tinha espremido o Enem junto com as suas outras duas provas de admissão. Depois de todos os interessados (ou pelo menos grande parte) já ter feito e pago a inscrição para a primeira fase da prova deles, eles avisam: estão fora. E de novo: se virem, meus filhos.

Pois é. Alguém lá e cima realmente não vai muito com a nossa cara. A cada nova notícia o prédio do terceirão pega fogo, enquanto isso eles continuam brincando com os seus joguinhos de interesses políticos e econômicos. E a gente? Bem, a gente faz o que mandam: vamos nos virando. Somos realmente a parte menos relevante do trato, então é esperar pra ver. Mas uma coisa eu digo: com certeza vamos sair dessa bem mais espertos.

Texto postado originalmente no WordPress.

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