Pessoal

“We’ve been living life inside a bubble”

Quando eu tinha 13 anos, algumas das minhas amigas frequentavam uma tal matinê chamada Sunday. Sinceramente, aquilo não tinha muito − na verdade, nada − a ver comigo, mas todo mundo ia e eu queria ir também. Será que era pedir demais? Talvez eu só quisesse ir mesmo porque eu sabia que não podia. Aí eu resolvi insistir e − com o apoio da minha mãe, que sempre me conheceu bem demais − convenci meu pai. Resta dizer que até hoje não fui naquele lugar. E não me arrependo, porque ainda encaro isso como uma escolha minha. Sempre funcionei bem na base da psicologia reversa.
Até hoje, com vinte anos na cara (arredondando), tenho que avisar onde vou e com quem, ligo quando chego em cada lugar, e eu que ouse deixar o celular descarregar! Meu pai me leva pros meus concursos (já que, invariavelmente, eu sou jogada pra fazer prova em um lugar mais horrível que o outro) e me traz de volta. Meu pai me espera acordado − pelo menos meio acordado − toda vez que eu saio, não importa quão tarde (ou cedo, depende do ponto de vista) eu chegue.
É sinal de preocupação e, sinceramente, com todas as coisas que acontecem aí fora, eu entendo. Ele me ama e não quer que nada aconteça comigo. O que me preocupa de verdade é o efeito que isso tem em mim. Porque, de alguma forma, isso me faz eternamente dependente dele. Eu vivo em uma bolha, onde eu tenho tudo o que preciso e o que quero na mão, estou saudável e livre dos problemas do mundo. O meu medo é quando essa bolha de segurança estourar. E o fato de que, cedo ou tarde, ela vai estourar é uma das poucas certezas que eu posso ter na vida.
Eu anseio e temo por esse momento. E me pergunto se vai ser uma coisa súbita ou se alguns sinais vão aparecer aos poucos, me avisando que eu tenho que estar preparada. Eu tenho vontade de sair por aí e trilhar o mundo com as minhas próprias pernas. Fazer escolhas e experimentar coisas sem me preocupar se ele vai se afligir ou ficar bravo. Eu preciso aprender a ser eu, e talvez pra isso eu mesma tenha que estourar essa bolha. Mas será que eu consigo?
Previous Post Next Post

You Might Also Like

10 Comments

  • Reply marcela 7 de abril de 2012 at 01:08

    Me senti assim praticamente até os 22 anos, depois involutariamente e inevitavelmente a bolha protetora estourou. Não foi muita coisa q mudou.Minha mãe continua me esperando acordada até eu chegar de alguma festa mas hoje já sou muito mais responsável por mim do que era antes e isso as vezes é muito difícil. Beijos!

  • Reply Ana Luísa 7 de abril de 2012 at 02:29

    Ei, Pa. Eu sou muito assim também, não tem jeito. Ai de mim se não atendo o celular, se saio sem avisar, e sempre que eu chego em casa, minha mãe dá um jeito de mostrar que ficou bem acordada me esperando, apesar de saber que eu sou bem responsável..

  • Reply Alessandra Rocha 7 de abril de 2012 at 11:04

    Ai flrozinha, espero que pra você o estouro da bolha seja mais agradável, porque pra mim foi um baque… EU estava lá, linda e sorridente dentro da minha bolha quando simplesmente PUF! Cabou a vida de criança e a realidade te dá com vontade na cara se voc~e deixar, eu me sinto um bebê agora, engatinhando, aprendendo a dar os primeiros passos, ainda incertos, nessa vida fora da bolha… Nao é fácil, nunca vai ser… Mas tambem nunca disseram que ia ser fácil né? Mas assim como o sofrimento e a angústia potencializam, as alegrias, os planos bem sucedidos e todas as coisas boas tambem vem bem mais intensas!

    Meus pais ainda são assim, mas eu não reclamo não… Tem gente que detesta né? Pra mim é realmente o mínimo que eu posso fazer, já que eles me deixam fazer praticamente tudo o que eu quero!
    Hahahaah c’est la vie né?

    beijo

  • Reply Bruna Baez 7 de abril de 2012 at 12:01

    Ai, sei bem como é isso. Só que eu sempre quis estourar a bolha e minha vó não deixava. Mesmo hoje, com ela bem rachada, minha vó finge que não vê que está acontecendo. Eu odiava ser a única que não podia sair, nem pra ir ao shopping. E odiava quando inventavam de me levar ou buscar. Não me incomodo em andar de ônibus, metrô, trem, à pé, desde que eu esteja indo pra onde eu quero, fazer o que quero. Eu sei que é pelo amor, pela preocupação e pelo cuidado, mas eu não nasci pra isso. Ainda hoje tenho hora pra chegar em casa, que cada dia mais eu chego em outro horário porque não aguento mais isso e ainda hoje todas as manhãs de domingo – e a de hoje, após feriado – são recheadas de caras feias e palavras secas porque cheguei uma hora depois do combinado. As coisas mudaram bastante, mas são bem incoerentes. Viajar eu posso, com caras feias, mas posso, mas dormir fora não. Ir pra algum barzinho e voltar às três eu posso, mas chegar à meia-noite porque estava na casa do meu namorado gera pano pra um vestido inteiro. Mas sei como é essa bolha, só não posso te dizer como fazer pra sair dela na hora certa, porque nunca quis nem ao menos estar ali dentro. Beijo, Palomitcha!

  • Reply Vanessa 7 de abril de 2012 at 15:49

    A sua bolha vai estourar na hora certa, menina! Você vai conseguir e vai se sair muito bem. E seus pais vão ter que aceitar. É difícil para um pai crer que cria a filha para o mundo real e não para uma bolha…

  • Reply Mayra 7 de abril de 2012 at 23:05

    Sair da nossa zona de conforto/proteção é muito complicado, principalmente quando a gente fica pensando no “mas eles podem ficar magoados se eu simplesmente parar de dar todas as informações da minha vida” etc e tal, só que, como você disse, é necessário. Acho que com força de vontade e empenho talvez você consiga amenizar a situação, não digo para excluir seus pais da sua vida, isso é muito triste. Digo apenas para ter um pouquinho mais de liberdade, afinal, isso faz mais que bem!
    Beijos!

  • Reply Rafaela 8 de abril de 2012 at 04:05

    Pelo título, achei que o texto tomaria um rumo completamente diferente, Pa, mas adorei. De verdade! Eu me vejo muito assim no futuro… sempre fui MUITO dependende dos meus pais e não acho que isso vá mudar de um dia pro outro. Sempre fui dessas que, sempre que possível, prefere que o pai ou a mãe esteja presente nas ocasiões. É até meio estranho, já que quase toda menina aos 17 anos sonha com uma liberdade eterna. Eu não sou assim. Não acho que isso seja ruim, mas entendo seu último parágrafo. Prefiro nem pensar no dia que essa bolha estourar!

    Beijos, flor!

  • Reply A felicidade é um estado de espirito 8 de abril de 2012 at 12:33

    Palominha

    Não sei se posso dizer pra você que algumas pessoas reclamam de barriga cheia, mas o fato é que sempre, toda vida, nunca tive ninguém que se preocupasse tanto comigo sempre me senti meio jogada de lado talvez pelo fato de ser o “recheio do sanduíche”, ou seja filha do meio sempre fui impelida a me virar na vida e tudo que eu sempre quis foi ter meus pais ali do meu lado esboçando preocupação com filhinha deles, por isso não acho que seja de todo ruim essa bolha em que você “acha” que vive.

    Ps: acabei de descobrir as maravilhas do skoob te procurei por la mas não te achei ainda estou aprendendo a mexer naquilo bjim e boa páscoa.

  • Reply Carolinda 8 de abril de 2012 at 15:46

    Pois é, polêmica essa situação.. comigo ocorre o mesmo, meu pai me carregando pra lá e pra cá e ao contrário do que muitos pensam, eu não me sinto constrangida com ele me levando na porta dos lugares e conhecendo todos os meus amigos.. alguns até me chamam de filhinha do papai ou mimada, rs. O “problema” é exatamente esse que você falou: não vai ser assim pra sempre. Aprender a andar com as próprias pernas, a se virar sozinha é essencial. Às vezes eu penso em eu mesma estourar essa bolha de proteção, bater o pé e tentar ser mais “solta”. Porém, sei que essas coisas vem aos aos poucos.. estou mostrando pra ele que eu posso ser independente e ao mesmo tempo contar com a proteção dele e na verdade, talvez seja assim mesmo que as coisas tem que acontecer, tudo na medida certa. Mas não posso negar que no fundo no fundo, eu amo ser a “filhinha do papai” hahahha

  • Reply Rhaíssa Sizenando da Silva 8 de abril de 2012 at 22:29

    Mesmo eu tendo meus vinte anos na cara, aviso sempre para onde vou, com quem eu vou e a que horas pretendo chegar. Isso é muito mais que segurança, isso é respeito com quem nós moramos! Meus pais sempre me falam onde eles vão, porque eu, que moro com eles e que me dão tudo, eu não vou falar? Isso é muito importante e bom! Mesmo nós crescendo e saindo da barra da saia! Beijos amii

  • Leave a Reply