Pessoal

What if?

Borboletas, arcos-íris, dias frescos de chuva fina. E se eu quiser falar de coisas bonitas? E se eu não quiser mais enxergar? E se eu estiver cansada demais para tudo isso? Mas eu sou só uma criança, não chegou a minha vez pra isso. Uma criança de alma velha. Mas uma criança. Um pouco cansada, um pouco preguiçosa, mas não é tempo de falar em mim, mesmo porque agora eu não sou mais eu, eu não vivo mais só em mim. Não posso ir bem se nada à minha volta vai bem, posso ser feliz tendo os meus problemas, mas não posso ser feliz tendo os problemas do mundo. Não nasci para Atlas, eu me dobro, me sinto pequenininha, oprimida, mas ainda estou ali. Eu sou forte, posso sobreviver. Mas até quando, nós vamos ter que sustentar o peso do céu, antes de passar o castigo aos nossos filhos, e adiante, adiante, adiante. Alguém vai dar o basta, ou a fila de dominós vai continuar caindo? Eu posso escrever poemas, fingir que não me importo. Mas o Sr. Mendigo não vai deixar a tendinha dele por causa disso, não vai ser por causa disso que vão se importar com ele, que vão notar quando ele não estiver mais. Eu não vou mudar o mundo me importando com o Sr. Mendigo, mas e se cada um se importasse com um? E se cada criança tivesse alguém que ligasse? São muitos ses, e eu sou uma só. Não estou desiludida, nasci assim. De vez em quando tento enxergar um mundo cor de rosa, como os óculos em formato de coração que eu tinha quando era pequena, mas ainda sou eu. Ainda fico triste toda vez que passo na frente do homem barbudo, sentado na calçada, olhando sem enxergar os carros que passam na sua frente, carregando um mundo totalmente diferente. Eu não deixo de me preocupar, não consigo, mas posso tentar fugir de vez em quando, uma escapasa curta, pra relaxar a mente. Mas cedo ou tarde a gente sempre volta às origens. O ciclo da vida é um ciclo, afinal.

Texto postado orginalmente no Uol blog.

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