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Algumas coisinhas para se fazer em Kansas City (e adjacências)

Quando eu dizia para as pessoas que estava indo passar as minhas férias em Kansas, a reação era invariavelmente a mesma: o que você vai fazer lá? Minha resposta era curta e grossa — visitar família — porque na verdade esse era o objetivo principal e eu também não fazia a menor ideia do que tinha por lá (e não precisava, a vantagem de ter hosts locais é que você pode passar a bola da programação para eles).

No fim das contas passamos os 15 dias circulando entre o Missouri – onde fica Kansas City – e o estado do Kansas, onde parte da família mora, e muitos dias foram dedicados à arte milenar de shopping (compras, para os leigos). No resto do tempo tivemos uma vasta programação ligeiramente esquizofrênica para comportar mais ou menos os interesses de todo mundo no grupo de turistas que compreendia: eu, meu irmãozinho e sua respectiva, meus dois primos mais novos, meus pais, minha avó e a prima dela (além dos locais: irmão da minha avó, esposa e filhas). Caso você não tenha compreendido, as idades variavam literalmente entre os 17 e os 70 anos.

No fim das contas, acabei descobrindo que tem bastante coisa para fazer em Kansas, sim senhor. Caso você esteja planejando uma passada por lá, aqui vão algumas dicas.

Legends

É um outlet, o que significa: compras. Tem bastante lojas interessantes e é programa para um dia inteiro, se você se dedicar de verdade. É aberto, portanto não recomendado para dias chuvosos. Se estiver muito quente e der para evitar, também pode ser interessante. As lojas são fechadas e têm ar condicionado, obviamente, mas se você quiser arrumar um banquinho e descansar no meio do caminho, vai ter que enfrentar o calor (e quando uma carioca diz que o calor de um lugar é cruel, vocês deveriam acreditar).

Kansas City Public Library

Traduzindo, biblioteca pública da cidade. Não tem nada realmente para fazer lá, mas é linda. E visitem a sessão infantil, porque a entrada dela é apenas um livro gigante com várias citações de livros infanto-juvenis amor (tem Harry Potter, isso diz tudo). Tem também um espaço para exposições, mas não cheguei a ir lá. E do lado de fora tem bancos em formato de livro – I rest my case.

Urbana KC

É um evento que acontece toda primeira quarta-feira do mês durante todo o verão. Ao ar livre, de graça, de tardezinha/noitinha. Tem música ao vivo, jogos e outras atividades bacanas, sem pagar nada. Também tem várias barracas de comida e bebida. Ganhei uma camisa, brinquei de jogar saquinhos de areia em tábuas tentando acertar um buraco (qual o nome desse jogo?), fiz arte com sprays de tinta e enfiei a cara em pizza — só vejo vitórias.

First Friday

Oi, mais um evento gratuito. Toda primeira sexta-feira do mês, as galerias de arte (patrocinadas por empresas) abrem as portas para exposições e outras atividades culturais (tipo leitura de histórias para crianças, pintura de azulejo – to chorando até hoje porque o meu ficou na chuva e estragou) e algumas dão até comida/bebida. No meio do caminho, vários bares com mesas nas calçadas, food truck e música de rua. A primeira semana do mês aparentemente é uma boa época para se estar em Kansas.

The Phoenix (sexta à noite)

É tipo um pub que tem atrações todas as noites. O happy hour começa às 16:30 (uma hora muito peculiar para os meus padrões brasileiros). Recomendo a sexta à noite porque é o dia em que o Lonnie McFadden se apresenta das 16:30 às 20:30. Primeiro ele canta, e depois ele sapateia em cima do balcão. E durante tudo isso ele é a criatura mais simpática da terra.

The Arrowhead

É o estádio do Kansas City Chiefs, time de futebol americano da cidade, e está aberto à visitação nas sextas e sábados, por 20 doletas. Não entendo nada de futebol americano e sinceramente não tenho interesse em começar a conhecer, mas achei o passeio super bacana mesmo assim, e o moço que fez o guia era muito simpático também.

Boulevard Brewery

Nós também fizemos o tour na fábrica de cerveja local. Esse é de graça e as senhas para os passeios do dia são distribuídas às 10h da manhã. Não foi unanimidade no grupo porque o que acontece é, basicamente, a gente encarar cilindros metálicos gigantes enquanto a guia fala, mas eu achei interessante a explicação sobre o processo de produção das cervejas. E ainda tem cerveja de graça no final.

The Nelson-Atkins Museum of Art

É um de vários museus da cidade, o único que nós visitamos (exceto meu primo, que quis ir no museu da Primeira Guerra Mundial, no Liberty Memorial). Entrada gratuita, e uma coleção imensa de todos os tipos de arte que se possa imaginar. Começa lá no Egito antigo (tem uma múmia de verdade), passa pela Grécia, Roma, arte sacra, arte moderna, expressionismo, impressionismo, arte norte-americana, arte nativa americana, arte asiática. É muita coisa, é infinito. Além disso, o prédio em si também é lindo, e tem jardins enormes onde dá para fazer piquenique e rolar na grama (eu amo rolar na grama).

Ameristar Hotel e Casino

Eu achei que a gente fosse lá brincar de cassino e ponto. Mas uau. Você não entra no prédio e cai direto no cassino; você entra no prédio e cai… fora? O teto simula o céu (o que me dá uma agonia infinita), algo meio Harry Potter, e a decoração imita várias lojinhas ao ar livre. Tem restaurante, lanchonete, lugarzinho de videogame para os menores de idade e — obviamente — um cassino, para os maiores de 21.

O cassino por dentro também é lindo, me lembrou o Titanic (?). Além disso, entrar lá é tipo entrar no Hotel e Cassino Lótus (não leu Percy Jackson? So sorry) — você se distrai rapidão com as maquininhas de caça níquel e, do nada, duas horas se passaram. Ainda tem café e refrigerante de graça, para você não sair de lá nunca mais na vida. Se você estiver jogando nas mesas, tem cerveja também. Dá pra morrer de velhice lá dentro.

Foi uma viagem muito menos intensa do que todas as minhas anteriores (quem lê até pensa que eu viajo tanto assim) por inúmeros fatores, com destaques para: (a) nunca conseguíamos sair de casa antes do almoço, (b) meu irmão e minha cunhada eram abduzidos dentro de todas as lojas, (c) 1/3 do grupo era composto de idosos, (d) KC não é uma grande metrópole, logo, além de não ter tantas coisas para se ver/fazer, a locomoção é muito mais difícil (não faço ideia de como é perambular por lá sem carro). Mas isso tudo está longe de significar que não foi uma ótima viagem. Nem só de metrópoles vive o homem, digo eu. Foi muito interessante ter uma experiência de viagem diferente.

Esse post é parte integrante do meu BEDA. Para saber mais sobre essa cilada leia esse post. Tem sugestão de tema ou pergunta para a minha pessoa? Deixe nos comentários ou entre em contato.

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7 Comments

  • Reply Naninha 20 de agosto de 2015 at 11:03

    Amiga, você se saiu muito bem como blogueira de viagem, viu? Fiquei morrendo de vontade conhecer essas programações, mal posso esperar para começarmos a fazer as viagens turísticas da máfia, hihi.
    E também achei interessantíssimo esse detalhe da primeira semana do mês cheio de eventos. Se um dia eu for para a terra da Dorothy (rssss não consigo) vou marcar para a primeira semana.

    Beijos! Te amo!

  • Reply Thay 20 de agosto de 2015 at 14:18

    Pelo seu texto, Kansas City parece ser um lugar bem interessante para se estar. Correndo o risco de ser extremamente simplista, não sabia nada sobre o lugar, teu post me abriu os olhos! ♥

  • Reply Sharoneide 20 de agosto de 2015 at 18:19

    Amiga, nunca imaginei, em toda minha vidinha até aqui, que Kansas City fosse um lugar tão interessante e cheio de coisas pra fazer. Acho que nosso maior erro quando pensa nos EUA é automaticamente pensar nos destinos padrão, esquecendo que provavelmente tem muito mais coisa pra ver em cantos menos badalados. Por favor, inclua esse destino nas nossas viagens turísticas mafiosas.

    te amo <3

  • Reply Ana Flávia 20 de agosto de 2015 at 22:37

    Gente, acho que eu nem sabia que a terra do Totó e da Dorothy existia de verdade. :||
    Mentira, sabia, mas duvidava sabe?
    Mas aí cê tava lá e tava falando de lá e talicoisa, aí acreditei. hahahaha

    Quanta coisa legal pra atender tanta gente diferente né?
    Gostei especialmente da Biblioteca (sempre que viajo procuro as bibliotecas) e dos eventos gratuitos. <33

    Adorei as dicas. Beijos.

  • Reply Chiquinha 21 de agosto de 2015 at 00:05

    Amiga, achei essa sua viagem o máximo. Tenho MUITA vontade de conhecer os Estados Unidos, principalmente essas cidades menores. Sei lá, acho que é um país muito legal, que tem umas coisas muito loucas e já passei (e passo) tanto tempo na minha vida imersa nessa cultura que quero muito um dia experimentar essas coisas diretamente. Fiquei bem curiosa com esse museu, a biblioteca (óbvio, sou muito previsível), e eu, que sempre achei cassino uma coisa bem sem graça (nunca fui, claro, mas nunca tive a mínima vontade de conhecer) depois da sua descrição até pensei que poderia ser uma boa ideia. Vai que, né?
    beijos, meu amor <3

  • Reply Alessandra Rocha 23 de agosto de 2015 at 18:08

    Que delicia Palo!
    Morro de curiosidade pelo SUl dos Estados Unidos desde que conheci um casal fofíssimo do Texas que tava se mudando pra Londres mas passou uns dias em Dublin pra conhecer, definitivamente entrou pra lista de lugares pra conhecer principalmente pelos eventos culturais que eu amo e quero ir em todos haha

    beijo! <3

  • Reply RESUMINHO DA SEMANA #2: UMA PORÇÃO DE NADAS - Starships & Queens 24 de agosto de 2015 at 07:01

    […] Também na quinta, a Palo fez um post sobre sua viagem pro Kansas e deu algumas dicas do que fazer por […]

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